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Informativos - Clínica Geral - Principais doenças de cães e gatos

Displasia Coxofemoral Canina

Escrito em:  maio/2010

Última modificação em:  junho/2011

A displasia coxo femoral, ou displasia do quadril, é uma das doenças osteoarticulares mais comuns nos cães, podendo ocorrer em qualquer raça, porém é mais comum em cães de grande porte com crescimento rápido.. Raramente acomete gatos e raças toys.

As causas de displasia coxo femoral são multifatoriais  (hereditária  e ambientais) que participam no desenvolvimento de osso e tecido mole anormais:

  • fatores hereditários: predisposição poligênica  recessiva (ou seja, determinada por mais de um par de genes) para luxação congênita coxofemoral. Os genes não afetam primariamente o esqueleto, mas sim cartilagem, tecidos conjuntivos e músculos desta região. São fatores múltiplos que influenciam e modificam a afecção;
  • ambientais: taxa de crescimento alta induzida  por alimentação, pisos escorregadios que aumentam ângulo de abertura entre acetábulo e cabeça de fêmur, disiparidade entre crescimento de massa magra (muscular)  x esquelética (osso);

Os fatores que provocam inflamação sinovial (trauma leve, repetitivo e/ou sinovite bacteriana ou viral) também podem ser importantes. Duas populações de animais são afetadas: pacientes de 5 a 10 meses  e pacientes com doença articular degenerativa crônica.

Sinais Clínicos

Nos jovens entre 4 e 12 meses): início súbito unilateral e as vezes bilateral de claudicação (mancar), dificuldade de se levantar após repouso, diminuição da vontade de pular, correr, andar e subir escadas, intolerância a exercícios e claudicação contínua ou intermitente

Quando adultos (acima de 15 meses), apresentam lesões devido a doença crônica e podem desenvolver sinais de dor na articulação coxo femoral., restrição de movimentos articulares, atrofia muscular na região pélvica, andar "rebolando", sinais constantes ou piora deles após atividade física vigorosa ou prolongada e  preferência por ficarem sentados a ficarem em estação (em pé).

Os sinais clínicos não estão diretamente relacionados com os achados de raio-x Alguns cães com displasia moderada a grave, podem permanecer assintomáticos.

Diagnóstico

O exame de escolha é o raio-x da região coxo-femoral, preferencialmente com o animal sob anestesia geral, para que haja um ótimo relaxamento das estruturas locais. O posicionamento do animal durante o exame também é muito importante.

A interpretação do exame, em geral pode incluir a aplicação do Índice de Norberg, onde é traçado linhas que passam nos centros das cabeças femorais e borda acetabular, sendo que a união dessas linhas, formam entre si o ângulo de Norberg. De acordo com a análise das alterações radiográficas e do ângulo de Norberg, pode-se classificar:

- A (HD-): sem sinais de displasia coxo femoral

- B (HD+/-): articulações coxo femorais próximas do normal

- C (HD+): leve displasia coxo femoral. Á partir deste grau, cruzamentos de cães com este resultado devem ser desencorajados

- D (HD++): moderada displasia coxo femoral

- E (HD +++): dsiplasia coxo femoral severa

A "Orthopedic Foundation for Animals" estabeleceu sete graus para a classificação da coerência rediográfica entre a cabeça femoral e o acetábulo, classificando em: excelente, boa, razoável, intermediário/limítrofe, leve, moderada e severa.

Tratamentos

O tipo de tratamento depende da idade do paciente, grau de desconforto e achados radiográficos, expectativas e condições financeiras de tratamento. As opções conservadoras e cirúrgicas  são indicadas para pacientes jovens e maduros, que sofrem dor secundária.

1.Tratamento Conservador

A intenção deste tipo de tratamento é aliviar a dor do animal, melhorando suas condições clínicas, e evitar piora dos sinais já presentes.

O repouso completo é obrigatório e deve ser cumprido por 10 a 14 dias. Muitas vezes o animal melhora em 3 a 4 dias e os proprietários podem permitir excesso de atividade, o que predispõe a recidiva da lesão, dor e recuperação prolongada. O tratamento conservador também inclui o uso de analgésicos antiinflamatórios para alivio da dor, porém estas drogas por deixarem os pacientes mais confortáveis, pode dificultar o cumprimento de repouso, que deve ser mantido pelo tempo indicado! Vale lembrar que as drogas antinflamatórias não devem ser usadas sem orientação do médico veterinário pois possuem tempo máximo de uso e potenciais efeitos colaterais a longo prazo.

Os condroprotetores (glicosaminoglicanos) são usados com frequência como adjuvante ao tratamento da inflamação associada a doença articular degenerativa crônica.

Controle do ganho de peso, também faz parte do tratamento conservador de displasia coxo-femoral. O animal deve ser pesado  semanalmente e ter seu consumo calórico controlado. Exercícios como natação e caminhadas podem ser benéficos para manter o peso ideal. Caso o animal não possa realizar exercícios, uma dieta apropriada deve ser indicada para manutenção do peso.

Fisioterapia adjuvante é útil neste período,  para manutenção da amplitude de movimentos e proporcionar conforto ao paciente.

2.Tratamento Cirúrgico

A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador não é eficaz, quando se deseja um desempenho atlético ou em pacientes jovens quando o proprietário deseja retardar a progressão da doença articular degenerativa, aumentando assim a probabilidade de uma boa função do membro a longo prazo.

Existem quatro técnicas cirúrgicas disponíveis para o tratamento de displasia coxo femoral. Cada uma com uma indicação de acordo com idade, grau de lesão, resposta a tratamentos anteriores e disponibilidade financeira.

Embora a intervenção cirúrgica precoce melhore o prognóstico de uma função clínica aceitável  a longo prazo, aproximadamente 60% dos pacientes jovens que fazem o tratamento conservador  recuperam uma função clínica estável com a maturidade.

Maricy Alexandrino - Médica Veterinária

©Este texto é um trabalho original do Autor e é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Qualquer uso ou reprodução deste texto depende de prévia e expressa autorização do Autor


Referências Bibliográficas

FOSSUM, T. W.; Cirurgia de Pequenos Animais, 1º ed São Paulo: Roca, 2002

LAMBERTS, M.; Exame Clínico Ortopédico, In: Apostila do Curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Clínica Médica de Pequenos Animais EQUALIS, Curitiba, 2004

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Como citar este artigo:

Alexandrino, Maricy. Displasia Coxo Femoral Canina, em CliniPet Clínica Veterinária website. Disponível em <http://clinipet.com/informativos/1-clinicageral/24-displasia.html>