Insuficiência Cardíaca
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Insuficiência Cardíaca Congestiva
O coração é visto em diversas culturas como o portador do amor e até como o amor em si. Aristóteles acreditava que ele era o centro das emoções e da inteligência. Tais crenças tinham como fundamento as alterações no ritmo sentidas nos momentos de maiores emoções (alegria, tristeza, etc). É um órgão musculoso, com tecido muito parecido (mas não igual) ao que temos em nossas pernas, braços, abdômen, etc. Cada célula muscular cardíaca comunica-se (por meio de pequenos “canais”) com sua vizinha, formando um grande grupo de células todas comunicando-se harmoniosamente. O que uma célula faz, sua vizinha também o fará. Isso garante que quando uma célula muscular cardíaca se contrair, todas também o farão. Quando uma relaxar, todas relaxarão. Esse tipo de organização celular é própria e específica do coração.
Sua importância é percebida desde os primórdios da vida, quando entre os 22 e 24 dias após a fecundação, ainda na fase embrionária alguns grupos de células organizam-se e formam um primeiro tecido pulsante, responsável por iniciar a circulação embrionária. Sem esse sistema de transporte, a vida embrionária e fetal tornam-se inviáveis.
A mudança da fase intra-uterina para a vida livre causa um choque fisiológico necessário e inevitável no, antes feto e agora, neonato. Tudo o que vemos no coração de um indivíduo já nascido é completamente diferente do que vemos no indivíduo ainda no ventre materno. Há comunicações entre grandes vasos, cavidades cardíacas interligam-se, há um pulmão afuncional; e tudo isso desaparecerá, ou espera-se que desapareçam, tão logo ocorra a primeira inspiração e nos dias subseqüentes.
O coração relaciona-se intimamente com os rins, cérebro e pulmões. Sendo responsável pelo fornecimento de 22% do débito cardíaco (quantidade de sangue ejetado a cada minuto para todo o corpo) para os rins e 14% para o cérebro. Os rins são os órgãos que mais recebem sangue, sendo por isso parcialmente responsáveis por todos os ajustes fisiológicos que ocorrem quando um coração doente começa a falhar. Os rins atuam como uma sentinela que alerta e aciona todos os mecanismos de defesa para evitar a morte de um doente cardíaco. Mas do ponto de vista fisiológico, esses mecanismos visam proteger os rins em primeiro lugar.
Todos as especialidades médicas possuem enfermidades que em algum momento convergem para um caminho comum. As doenças neonatais tendem a caminhar para o desenvolvimento da Tríade Crítica Neonatal. As doenças oftálmicas para as úlceras corneanas ou para o glaucoma. As doenças infecciosas para a septicemia, as doenças renais para as insuficiências renais aguda e crônica. As doenças cardíacas tendem a progredir para a insuficiência cardíaca congestiva.
Quando o coração não consegue atender a demanda por fluxo sangüíneo requerido pelos diversos tecidos e órgãos, inicialmente ocorrem aumento da tensão nos vasos sangüíneos e aumento da freqüência cardíaca. Posteriormente, além desses fenômenos, há retenção de líquidos e de sódio na tentativa desesperada do organismo manter o adequado fluxo sangüíneo. Este estado persiste por semanas, meses e algumas vezes até por anos, antes do coração entregar-se.
A falha na atuação cardíaca pode ocorrer por redução da força de contração miocárdica (por exemplo: miocardiopatia dilatada), por redução ou impedimento do correto enchimento ventricular quando o coração relaxa (por exemplo: miocardiopatia hipertrófica e acúmulos de líquidos no pericárdio – a bolsa que envolve o coração), por impedimento da progressão do sangue (por exemplo: estenose subáortica) ou por trânsito anormal do sangue por câmaras cardíacas ou vasos (por exemplo na endocardiose ou na comunicação interventricular). Pacientes cardiopatas compensados, podem descompensar ao serem submetidos a estresse (cruza, corridas, viagens, cirurgias, brigas, etc).
O resultado final do coração que não cumpre corretamente com a sua função é o edema pulmonar cardiogênico. Em termos simples: é o acúmulo de líquido nos pulmões. Fazendo uma comparação grosseira é como se o indivíduo se afogasse em seus próprios líquidos, porém lentamente.
Cães e gatos com doenças cardíacas não apresentam todos os sinais clínicos de forma semelhante. Os cães costumam manifestar tosse, dificuldades respiratória (que não deve ser confundida com a respiração acelerada que eles naturalmente realizam para auxiliar no controle da temperatura através de vasos sangüíneos presentes na língua), desmaios (que podem ser precipitadas por arritmias ou hipertensão pulmonar), cansaço fácil (sua atividade física dura menos tempo do que o de costume), intolerância ao exercício (passam a recusar-se a brincar ou a passear). Gatos por serem mais sedentários, raramente manifestam sinais de redução da atividade física ou intolerância ao exercício, sendo mais comum os sinais de dificuldade respiratória. E ao contrário do que muitos pensam, gatos com tosse raramente são cardiopatas.
Ambas as espécies podem apresentar: cianose (língua ou gengivas azuladas), perda de peso, redução no apetite (com exceção de alimentos salgados), eventualmente diarréia, aumento no consumo de água e redução na produção de urina, falhas reprodutivas (os machos apresentam até 95% de patologias espermáticas e as fêmeas podem sofrer abortamentos no primeiro terço da gestação), baixo desenvolvimento corporal (sinal clássico e inicial de todas as doenças congênitas) e podem ocorrer convulsões secundárias a arritmias malignas (um fenômeno conhecido em Cardiologia como ataque de Stoke Adams).
Um sinal clinico particularmente curioso em gatos são os vômitos. Alguns pacientes apresentam como único sinal identificável por seu proprietário, os vômitos ocasionais. Uma das orientações dadas atualmente por este autor é que todo gato com episódios de vômito cujas as causas clássicas foram excluídas, devem ser avaliados sob o ponto de vista cardiológico e o mais rápido possível, pois é um sinal prévio ao desenvolvimento de edema pulmonar, segundo consta em um conhecido tratado de Medicina Interna Veterinária.
Pacientes que desenvolvam edema pulmonar cardiogênico possuem pior prognóstico que os cardiopatas que se mantenham estáveis. Por exemplo, cães da raça Doberman Pinscher costumam ter uma sobrevida de meses após o primeiro episódio de edema pulmonar, não sendo muito diferente nos demais casos cardiológicos que assim se apresentem. Muitos destes pacientes passarão por um longo período de tratamento em regime de terapia semi-intensiva (e intensiva em alguns casos) antes de retornarem para seus lares. As visitas nestes casos somente serão permitidas caso o Médico Veterinário perceba ausência de risco para o paciente. Da mesma forma, não se deve encaminhar o paciente para exames complementares antes da estabilização, sob pena de abreviar sua vida.
O tratamento consiste em terapia medicamentosa vitalícia a base de vasodilatadores (para facilitar o escoamento sangüíneo), em alguns casos também os diuréticos (para reduzir o volume de líquidos no organismo e desta forma aliviar o trabalho realizado pelo coração), os digitálicos (antigamente com a função de aumentar a força de contração do miocárdio e atualmente com o benefício de melhorar a resposta do miocárdio à ação da adrenalina e noradrenalina e restaurar a atividade de receptores presentes em artérias mais centrais) e na presença de arritmias, os antiarritmicos.
Como visto anteriormente, o coração relaciona-se intimamente com os rins. Por esse motivo, a monitoração freqüente da função renal é imprescindível. Da mesma forma que uma doença renal pode causar hipertensão arterial sistêmica e consequentemente uma doença cardíaca. A doença cardíaca, assim como o próprio tratamento da cardiopatia, podem acarretar em doenças renais.
Mais do que exames complementares, a avaliação clínica é soberana. E exames complementares devem ser solicitados apenas para acompanhamento da evolução do caso e somente após a correta estabilização. Em situações especiais, o ecodopplercardiograma será fundamental para o diagnóstico definitivo da enfermidade, especialmente no que se refere a enfermidades congênitas e as miocardiopatias felinas. O raio X é o exame padrão para avaliação e acompanhamento de edema pulmonar, doenças pulmonares e derrames torácicos (acúmulo de líquidos no tórax) e o eletrocardiograma é indispensável para o diagnóstico das arritmias cardíacas (e apenas elas).
Marcell Hideki Koshiyama -Médico Veterinário
Cardiologia e Medicina Interna
VETCARDIO – Serviço de Cardiologia Veterinária
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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA
O coração é visto em diversas culturas como o portador do amor e até como o amor em si. Aristóteles acreditava que ele era o centro das emoções e da inteligência. Tais crenças tinham como fundamento as alterações no ritmo sentidas nos momentos de maiores emoções (alegria, tristeza, etc). É um órgão musculoso, com tecido muito parecido (mas não igual) ao que temos em nossas pernas, braços, abdômen, etc. Cada célula muscular cardíaca comunica-se (por meio de pequenos “canais”) com sua vizinha, formando um grande grupo de células todas comunicando-se harmoniosamente. O que uma célula faz, sua vizinha também o fará. Isso garante que quando uma célula muscular cardíaca se contrair, todas também o farão. Quando uma relaxar, todas relaxarão. Esse tipo de organização celular é própria e específica do coração.
Sua importância é percebida desde os primórdios da vida, quando entre os 22 e 24 dias após a fecundação, ainda na fase embrionária alguns grupos de células organizam-se e formam um primeiro tecido pulsante, responsável por iniciar a circulação embrionária. Sem esse sistema de transporte, a vida embrionária e fetal tornam-se inviáveis.
A mudança da fase intra-uterina para a vida livre causa um choque fisiológico necessário e inevitável no, antes feto e agora, neonato. Tudo o que vemos no coração de um indivíduo já nascido é completamente diferente do que vemos no indivíduo ainda no ventre materno. Há comunicações entre grandes vasos, cavidades cardíacas interligam-se, há um pulmão afuncional; e tudo isso desaparecerá, ou espera-se que desapareçam, tão logo ocorra a primeira inspiração e nos dias subseqüentes.
O coração relaciona-se intimamente com os rins, cérebro e pulmões. Sendo responsável pelo fornecimento de 22% do débito cardíaco (quantidade de sangue ejetado a cada minuto para todo o corpo) para os rins e 14% para o cérebro. Os rins são os órgãos que mais recebem sangue, sendo por isso parcialmente responsáveis por todos os ajustes fisiológicos que ocorrem quando um coração doente começa a falhar. Os rins atuam como uma sentinela que alerta e aciona todos os mecanismos de defesa para evitar a morte de um doente cardíaco. Mas do ponto de vista fisiológico, esses mecanismos visam proteger os rins em primeiro lugar.
Todos as especialidades médicas possuem enfermidades que em algum momento convergem para um caminho comum. As doenças neonatais tendem a caminhar para o desenvolvimento da Tríade Crítica Neonatal. As doenças oftálmicas para as úlceras corneanas ou para o glaucoma. As doenças infecciosas para a septicemia, as doenças renais para as insuficiências renais aguda e crônica. As doenças cardíacas tendem a progredir para a insuficiência cardíaca congestiva.
Quando o coração não consegue atender a demanda por fluxo sangüíneo requerido pelos diversos tecidos e órgãos, inicialmente ocorrem aumento da tensão nos vasos sangüíneos e aumento da freqüência cardíaca. Posteriormente, além desses fenômenos, há retenção de líquidos e de sódio na tentativa desesperada do organismo manter o adequado fluxo sangüíneo. Este estado persiste por semanas, meses e algumas vezes até por anos, antes do coração entregar-se.
A falha na atuação cardíaca pode ocorrer por redução da força de contração miocárdica (por exemplo: miocardiopatia dilatada), por redução ou impedimento do correto enchimento ventricular quando o coração relaxa (por exemplo: miocardiopatia hipertrófica e acúmulos de líquidos no pericárdio – a bolsa que envolve o coração), por impedimento da progressão do sangue (por exemplo: estenose subáortica) ou por trânsito anormal do sangue por câmaras cardíacas ou vasos (por exemplo na endocardiose ou na comunicação interventricular). Pacientes cardiopatas compensados, podem descompensar ao serem submetidos a estresse (cruza, corridas, viagens, cirurgias, brigas, etc).
O resultado final do coração que não cumpre corretamente com a sua função é o edema pulmonar cardiogênico. Em termos simples: é o acúmulo de líquido nos pulmões. Fazendo uma comparação grosseira é como se o indivíduo se afogasse em seus próprios líquidos, porém lentamente.
Cães e gatos com doenças cardíacas não apresentam todos os sinais clínicos de forma semelhante. Os cães costumam manifestar tosse, dificuldades respiratória (que não deve ser confundida com a respiração acelerada que eles naturalmente realizam para auxiliar no controle da temperatura através de vasos sangüíneos presentes na língua), desmaios (que podem ser precipitadas por arritmias ou hipertensão pulmonar), cansaço fácil (sua atividade física dura menos tempo do que o de costume), intolerância ao exercício (passam a recusar-se a brincar ou a passear). Gatos por serem mais sedentários, raramente manifestam sinais de redução da atividade física ou intolerância ao exercício, sendo mais comum os sinais de dificuldade respiratória. E ao contrário do que muitos pensam, gatos com tosse raramente são cardiopatas.
Ambas as espécies podem apresentar: cianose (língua ou gengivas azuladas), perda de peso, redução no apetite (com exceção de alimentos salgados), eventualmente diarréia, aumento no consumo de água e redução na produção de urina, falhas reprodutivas (os machos apresentam até 95% de patologias espermáticas e as fêmeas podem sofrer abortamentos no primeiro terço da gestação), baixo desenvolvimento corporal (sinal clássico e inicial de todas as doenças congênitas) e podem ocorrer convulsões secundárias a arritmias malignas (um fenômeno conhecido em Cardiologia como ataque de Stoke Adams).
Um sinal clinico particularmente curioso em gatos são os vômitos. Alguns pacientes apresentam como único sinal identificável por seu proprietário, os vômitos ocasionais. Uma das orientações dadas atualmente por este autor é que todo gato com episódios de vômito cujas as causas clássicas foram excluídas, devem ser avaliados sob o ponto de vista cardiológico e o mais rápido possível, pois é um sinal prévio ao desenvolvimento de edema pulmonar, segundo consta em um conhecido tratado de Medicina Interna Veterinária.
Pacientes que desenvolvam edema pulmonar cardiogênico possuem pior prognóstico que os cardiopatas que se mantenham estáveis. Por exemplo, cães da raça Doberman Pinscher costumam ter uma sobrevida de meses após o primeiro episódio de edema pulmonar, não sendo muito diferente nos demais casos cardiológicos que assim se apresentem. Muitos destes pacientes passarão por um longo período de tratamento em regime de terapia semi-intensiva (e intensiva em alguns casos) antes de retornarem para seus lares. As visitas nestes casos somente serão permitidas caso o Médico Veterinário perceba ausência de risco para o paciente. Da mesma forma, não se deve encaminhar o paciente para exames complementares antes da estabilização, sob pena de abreviar sua vida.
O tratamento consiste em terapia medicamentosa vitalícia a base de vasodilatadores (para facilitar o escoamento sangüíneo), em alguns casos também os diuréticos (para reduzir o volume de líquidos no organismo e desta forma aliviar o trabalho realizado pelo coração), os digitálicos (antigamente com a função de aumentar a força de contração do miocárdio e atualmente com o benefício de melhorar a resposta do miocárdio à ação da adrenalina e noradrenalina e restaurar a atividade de receptores presentes em artérias mais centrais) e na presença de arritmias, os antiarritmicos.
Como visto anteriormente, o coração relaciona-se intimamente com os rins. Por esse motivo, a monitoração freqüente da função renal é imprescindível. Da mesma forma que uma doença renal pode causar hipertensão arterial sistêmica e consequentemente uma doença cardíaca. A doença cardíaca, assim como o próprio tratamento da cardiopatia, podem acarretar em doenças renais.
Mais do que exames complementares, a avaliação clínica é soberana. E exames complementares devem ser solicitados apenas para acompanhamento da evolução do caso e somente após a correta estabilização. Em situações especiais, o ecodopplercardiograma será fundamental para o diagnóstico definitivo da enfermidade, especialmente no que se refere a enfermidades congênitas e as miocardiopatias felinas. O raio X é o exame padrão para avaliação e acompanhamento de edema pulmonar, doenças pulmonares e derrames torácicos (acúmulo de líquidos no tórax) e o eletrocardiograma é indispensável para o diagnóstico das arritmias cardíacas (e apenas elas).
Marcell Hideki Koshiyama
Médico Veterinário
CRMV-SP 17827
Cardiologia e Medicina Interna
VETCARDIO – Serviço de Cardiologia Veterinária
http://www.vetcardio.cjb.net

