Avaliação do Usuário: / 90
PiorMelhor 
Informativos - Clínica Geral - Principais doenças de cães e gatos

Erliquiose Canina

 

A erliquiose é uma doença grave que acomete os cães e é transmitida pela picada carrapato vermelho. Antes de falar  sobre a doença, vamos conhecer um pouco mais sobre o transmissor da erliquiose:

O carrapato que transmite tal doença recebe o nome de Riphicephalus sanguineus ou carrapato vermelho do cão. Eles possuem hábito nidícola vivendo em ninhos, toca ou abrigo de seus hospedeiros. Gostam de lugares quentes e escuros.

Um fêmea adulta pode ovipor em média 4.000 ovos que eclodem em 2 a 7 semanas, liberando as larvas  que irão se alimentar  por 3 a 12 dias, estas lavas alimentadas caem do hospedeiro e permanecem fora por 6 a 90 dias quando se transformam em ninfa. As ninfas também se alimentam por um curto período  3-10 dias, após alimentadas voltam ao ambiente para se tornar adulto. Geralmente para completar seu ciclo necessitam de 3 hospedeiros, para larva, ninfa e adulto, mas o carrapato pode completar seu ciclo de vida com apenas um animal como hospedeiro se desprendendo do animai ao final de cada repasto sanguíneo (alimentação). Parasitam principalmente a cabeça, pescoço, doros orelhas e entre os dedos. São muito comuns em áreas urbanas.

Se o complicado ciclo de vida for interrompido o carrapto pode  sobreviver por longos períodos ou hibernar no inverno, podendo sobreviver dentro de casa devido suas baixas necessidades de umidade. Além da erliquiose este parasita também transmite aos cães a Babesiose e a Hepatozoonose.

 

O R. sanguineus (carrapato vermelho)  transmite a Erliquiose para os cães,  pela saliva enquanto se alimenta com o sangue do animal. A doença tem um período de incubação de 1-3 semanas.

A Erlichia spp. é um microrganismo (riquétsia) intracelular obrigatório e existe várias espécies de Erlichia, sendo a Erlichia canis a que mais comumente  afeta os cães.

O microorganismo não é transmitido via transovariana no carrapato, portanto somente um carrapato alimentando-se em um cão doente é capaz de tornar-se infectado e perpetuar a doença. A doença também pode ser transmitida aos cães por tranfusões sanguineas.

A erliquiose consiste em 3 fases principais:

- aguda: inicia-se de 1 a 3 semanas após  infecção. Durante este período o microrganismo se multiplica  dentro de determinadas células e em alguns órgãos  como fígado, baço e linfonodos, levando a aumento destes tecidos. As células infectadas  são transportadas via sangue para outros órgãos  especialmente pulmões,  rins e meniges induzindo a vasculite  e infecção tecidual subendotelial. Ocorre também consumo, sequestro e destruição de plaquetas. Esta fase pode durar em média  2-4 semanas, seo o animal conseguir eliminar o microrganismo;

- sublclínica: ocorre  de 6 a 9 semanas  após a inoculação. O cão se torna portador do microorganismo, porém sem manifestar sinais de doença. Esta fase pode durar até 5 anos após infecção, podendo evoluir para fase crônica;

- crônica: nesta fase é onde muitas alterações clínicas se desenvolvem, devido a reação imune do organismo contra o microorganismo.

 

Os sinais clínicos da erliquiose, variam de acordo com a fase  da doença,  condições imunes do hospedeiro e tipo de cepa e espécie de Erlichia.

Na fase aguda o cão pode manifestar sinais de febre, anorexia, perda de peso, presença de carrapatos  e aumento de linfonodos. Já na fase crônica os sinais em sua maioria são causados por uma reação imune do organismo tentanto combater o parasita, o cão pode apresentar: depressão, perda de peso, mucosas pálidas devido a anemia intensa,  dor abdominal, sangramento nasal, diarréia escura, vômito, lesões oculares (sangramentos oculares, uveíte), aumento de órgaõs (baço, fígado), alterações neurológicas (compativeis com inflamação de meninges), aumento no consumo de água e frequência de urina (secundário a lesão renal)  entre outros sinais, caracterizam cães  que desenvolvem  manifestações da doença durante a infecção crônica. Devido a imunossupressão infecções bacterianas secundárias poderão aparecer.

Os sinais clínicos da fase crônica  são discretos  a ausentes  em alguns cães e graves em outros cães, não é raro em áreas endêmicas  detectar alterações no exame de sangue  compatíveis com infecção crônica por E.canis em cães saudáveis que estejam  apenas fazendo exames de rotina.

O diagnóstico é feito através do histórico (presença de carrapatos ou área endêmica da doença), sinais clínicos e achados de exames laboratoriais. A Erlichia canis afeta determinadas células do sangue, levando a um baixo número circulante delas e tal achado em associação aos sinais clínicos pode ser sugestivo da doença. Exames bioquímicos e urinálise são importantes para detectar alterações precoces em outros órgãos, principalmente os rins.

Exames mais específicos como sorologia   e PCR, são úteis para se chegar ao diagnóstico. Alguns cães podem estar concomitantemente infectados pela erliquiose e babesiose, ou mesmo hepatozoonose, visto todas serem transmitidas pelo mesmo  carrapato.

A erliquiose é uma doença fatal se não tratada. O tratamento tem a intenção de combater o microorganismo, bem como tratar as lesões por ele causada. A terapia básica consiste em antibioticoterapia via oral com droga específica durante 21 dias. Em alguns casos pode ser necessário uso de droga injetável aplicada a cada 7-15 dias. Dependendo da gravidade dos sinais o cão precisará de internamento para fluidoterapia e tranfusão sanguinea. O sucesso do tratamento irá depender da fase da doença e gravidade dos sinais que o cão apresenta,  visto que em estágios avançados da erliquiose pode ocorrer aplasia de medula.

O controle da infestação dos carrapatos é parte essencial do tratamento, para evitar uma recidiva da doença, pois o cão não se torna "imune" após a infeção, e com isso caso seja novamente picado por um carrapato infectado, poderá adoecer  de novo.

Como a erliquiose  não é transmitida via transovariana no carrapato, a doença pode ser eliminada   no meio ambiente pelo controle dos carrapatos e pelo tratamento de todos os cães por toda uma geração de carrapatos.  O R. sanguineus pode transmitir a erliquiose por aproximadamente 155 dias.

 

Autora: Maricy Alexandrino - Médica veterinária

 

©Este texto é um trabalho original do Autor e é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Qualquer uso ou reprodução deste texto depende de prévia e expressa autorização do Autor

 

Referências Bibliográficas:

ETTINGER, S.J.; FEELDMAN, E.C.; Tratado de Medicina Interna Veterinária, 5º ed. Vol. 1, Rio de Janeiro: Guanabara, 2004.

NELSON, R.W.; COUTO, C.G.; Medicina Interna de Pequenos Animais, 2º ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2001

SCOTT, D.W.; MULLER, W.H.; GRIFFIN, C.E.; Muller & Kirk, Dermatologia de Pequenos Animais, 5º ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996

TILLEY , L. P.; SMITH Jr.; F.W.K; Consulta Veterinária em 5 minutos: Espécies Canina e Felina, 2º ed. São Paulo: Manole, 2003

 

_________________________________________________

Como citar este artigo:

Alexandrino, Maricy. Erliquiose Canina, em CliniPet Clínica Veterinária website. Disponível em <http://clinipet.com/informativos/1-clinicageral/30-erliquiose.htmll>

 

Erliquiose Canina

A erliquiose é uma doença grave que acomete os cães e é transmitida pela picada carrapato vermelho. Antes de falar  sobre a doença, vamos conhecer um pouco mais sobre o transmissor da erliquiose:

O carrapato que transmite tal doença recebe o nome de Riphicephalus sanguineus ou carrapato vermelho do cão. Eles possuem hábito nidícola vivendo em ninhos, toca ou abrigo de seus hospedeiros. Gostam de lugares quentes e escuros.

Um fêmea adulta pode ovipor em média 4.000 ovos que eclodem em 2 a 7 semanas, liberando as larvas  que irão se alimentar  por 3 a 12 dias, estas lavas alimentadas caem do hospedeiro e permanecem fora por 6 a 90 dias quando se transformam em ninfa. As ninfas também se alimentam por um curto período  3-10 dias, após alimentadas voltam ao ambiente para se tornar adulto. Geralmente para completar seu ciclo necessitam de 3 hospedeiros, para larva, ninfa e adulto, mas o carrapato pode completar seu ciclo de vida com apenas um animal como hospedeiro se desprendendo do animai ao final de cada repasto sanguíneo (alimentação). Parasitam principalmente a cabeça, pescoço, doros orelhas e entre os dedos. São muito comuns em áreas urbanas.

Se o complicado ciclo de vida for interrompido o carrapto pode  sobreviver por longos períodos ou hibernar no inverno, podendo sobreviver dentro de casa devido suas baixas necessidades de umidade. Além da erliquiose este parasita também transmite aos cães a Babesiose e a Hepatozoonose.

O R. sanguineus (carrapato vermelho)  transmite a Erliquiose para os cães,  pela saliva enquanto se alimenta com o sangue do animal. A doença tem um período de incubação de 1-3 semanas.

A Erlichia spp. é um microrganismo (riquétsia) intracelular obrigatório e existe várias espécies de Erlichia, sendo a Erlichia canis a que mais comumente  afeta os cães.

O microorganismo não é transmitido via transovariana no carrapato, portanto somente um carrapato alimentando-se em um cão doente é capaz de tornar-se infectado e perpetuar a doença. A doença também pode ser transmitida aos cães por tranfusões sanguineas.

A erliquiose consiste em 3 fases principais:

- aguda: inicia-se de 1 a 3 semanas após  infecção. Durante este período o microrganismo se multiplica  dentro de determinadas células e em alguns órgãos  como fígado, baço e linfonodos, levando a aumento destes tecidos. As células infectadas  são transportadas via sangue para outros órgãos  especialmente pulmões,  rins e meniges induzindo a vasculite  e infecção tecidual subendotelial. Ocorre também consumo, sequestro e destruição de plaquetas. Esta fase pode durar em média  2-4 semanas, seo o animal conseguir eliminar o microrganismo;

- sublclínica: ocorre  de 6 a 9 semanas  após a inoculação. O cão se torna portador do microorganismo, porém sem manifestar sinais de doença. Esta fase pode durar até 5 anos após infecção, podendo evoluir para fase crônica;

- crônica: nesta fase é onde muitas alterações clínicas se desenvolvem, devido a reação imune do organismo contra o microorganismo.

Contagem variadas de leucocitos na fase aguda, e a anemia esta relacionada a supressao da produção de eritrócitos e a destruição acelerada  destas células .

Os sinais clínicos da erliquiose, variam de acordo com a fase  da doença,  condições imunes do hospedeiro e tipo de cepa e espécie de Erlichia.

Na fase aguda o cão pode manifestar sinais de febre, anorexia, perda de peso, presença de carrapatos  e aumento de linfonodos. Já na fase crônica os sinais em sua maioria são causados por uma reação imune do organismo tentanto combater o parasita, o cão pode apresentar: depressão, perda de peso, mucosas pálidas devido a anemia intensa,  dor abdominal, sangramento nasal, diarréia escura, vômito, lesões oculares (sangramentos oculares, uveíte), aumento de órgaõs (baço, fígado), alterações neurológicas (compativeis com inflamação de meninges), aumento no consumo de água e frequência de urina (secundário a lesão renal)  entre outros sinais, caracterizam cães  que desenvolvem  manifestações da doença durante a infecção crônica. Devido a imunossupressão infecções bacterianas secundárias poderão aparecer.

Os sinais clínicos da fase crônica  são discretos  a ausentes  em alguns cães e graves em outros cães, não é raro em áreas endêmicas  detectar alterações no exame de sangue  compatíveis com infecção crônica por E.canis em cães saudáveis que estejam  apenas fazendo exames de rotina.

O diagnóstico é feito através do histórico (presença de carrapatos ou área endêmica da doença), sinais clínicos e achados de exames laboratoriais. A Erlichia canis afeta determinadas células do sangue, levando a um baixo número circulante delas e tal achado em associação aos sinais clínicos pode ser sugestivo da doença. Exames bioquímicos e urinálise são importantes para detectar alterações precoces em outros órgãos, principalmente os rins.

Exames mais específicos como sorologia   e esfregaços sanguíneos de ponta de orelha, são úteis para se chegar ao diagnóstico. Alguns cães podem estar concomitantemente infectados pela erliquiose e babesiose, ou mesmo hepatozoonose, visto todas serem transmitidas pelo mesmo  carrapato.

A erliquiose é uma doença fatal se não tratada. O tratamento tem a intenção de combater o microorganismo, bem como tratar as lesões por ele causada. A terapia básica consiste em antibioticoterapia via oral com droga específica durante 21 dias. Em alguns casos pode ser necessário uso de droga injetável aplicada a cada 7-15 dias. Dependendo da gravidade dos sinais o cão precisará de internamento para fluidoterapia e tranfusão sanguinea. O sucesso do tratamento irá depender da fase da doença e gravidade dos sinais que o cão apresenta,  visto que em estágios avançados da erliquiose pode ocorrer aplasia de medula.

O controle da infestação dos carrapatos é parte essencial do tratamento, para evitar uma recidiva da doença, pois o cão não se torna "imune" após a infeção, e com isso caso seja novamente picado por um carrapato infectado, poderá adoecer  de novo.

Como a erliquiose  não é transmitida via transovariana no carrapato, a doença pode ser eliminada   no meio ambiente pelo controle dos carrapatos e pelo tratamento de todos os cães por toda uma geração de carrapatos.  O R. sanguineus pode transmitir a erliquiose por aproximadamente 155 dias.

ETTINGER, S.J.; FEELDMAN, E.C.; Tratado de Medicina Interna Veterinária, 5º ed. Vol. 1, Rio de Janeiro: Guanabara, 2004.

NELSON, R.W.; COUTO, C.G.; Medicina Interna de Pequenos Animais, 2º ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2001

SCOTT, D.W.; MULLER, W.H.; GRIFFIN, C.E.; Muller & Kirk, Dermatologia de Pequenos Animais, 5º ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996

TILLEY , L. P.; SMITH Jr.; F.W.K; Consulta Veterinária em 5 minutos: Espécies Canina e Felina, 2º ed. São Paulo: Manole, 2003