Avaliação do Usuário: / 8
PiorMelhor 
Informativos - Clínica Geral - Principais doenças de cães e gatos

Sarcoma Felino em local de aplicação (antigo Sarcoma pós vacinal)


O fibrossarcoma é uma neoplasia ("câncer") maligna que acomete um tipo de célula chamada fibroblastos e pertence ao grupo dos sarcomas das partes moles. Os sarcomas das partes moles são neoplasias ("câncer") que podem se desenvolver de uma grande variedade de tecidos, como gordura, músculo, tecido fibroso, vasos e nervos. Estas neoplasias se geralmente são nódulos firmes e aderidos a pele ou músculo, sendo que os sintomas dependem do local afetado e o grau de invasão tecidual.

Até o final dos anos 80 a  incidência de fibrossarcoma em gatos era muito baixa e afetava principalmente animais idosos. Porém a partir do início da década de 90, notou-se um grande aumento na incidência da doença. Sendo que destes casos, o maior número foi de casos de fibrossarcoma de origem cutânea e subcutânea, que se localizavam na região cervical dorsal e interescapular de felinos. Este aumento na incidência, coincidiu com o momento em que uma lei estadual tornou obrigatória a vacinação de gatos contra raiva no estado da Pensilvânia (EUA) em 1987, o que fez com que os veterinários  associassem a ocorrência destas neoplasias com a vacinação. Através de exames histopatológicos destes  tumores foi observado  no interior de algumas células, uma substância acinzentada sendo identificada como alumínio, que é uma das substâncias utilizadas como adjuvante nas vacinas aplicadas naquele período.

Porém, o  caráter esporádico do aparecimento dos sarcomas relacionados a vacinação não justifica essa teoria, pois analisando os relatos de incidência, observa-se que:

  • se 10.000 gatos recebem vacinas e somente um deles desenvolve fibrossarcoma,  parece correto atribuir o fato a uma reação individual do animal e não ao adjuvante vacinal. Sendo que a incidência desses tumores, relatada na literatura mundial é bastante variável. Alguns autores descrevem desde 1 caso de fibrossarcoma em 1.000 animais submetidos a vacinações em geral (0,1%) até 1 caso em 10.000 (0,01%).

Além disso, a formação de fibrossarcomas também tem sido observada após aplicações de outros medicamentos, que não contém adjuvantes. Neste caso, seria razoável supor que há uma predisposição talvez genética para o problema. Devido a estas controvérsias  sobre a origem, epidemiologia, patogenia, tratamento e prevenção dos sarcomas em local de aplicação dos felinos, em novembro de 1996 formou-se nos Estados Unidos a VAFSTF (Vaccine-Associeted Feline Sarcoma Task Force), uma associação de pesquisadores  com finalidade de coordenar estudos para tentar elucidar estas questões.

Estudos recentes sugerem uma associação causal entre aplicação de qualquer tipo de substância injetável e o desenvolvimento de fibrossarcoma, entre elas: antibióticos, corticóides, fluidoterapia subcutânea entre outros, e portanto houve uma mudança do termo utilizado para "Sarcoma  nos locais de aplicação nos gatos" e não mais Sarcoma pós-vacinal.

Em um determinado estudo, verificou-se que a administração repetida de vacinas sempre no mesmo local, aumenta  muito o risco de desenvolvimento de tumor. Uma aplicação poderia aumentar em até 50% o risco, comparando com a não aplicação. Duas aplicações aumentariam em 127% o risco e 3-4 aplicações aumentariam em 175% o risco.  Sendo que o desenvolvimento dessas neoplasias podem ocorrer de 3 meses até 3 anos da aplicação.

Até hoje não se tem absoluta certeza sobre a causa desses sarcomas mas sabemos que os sarcomas uma vez desenvolvidos são de manejo terapêutico difícil e pior, impossíveis de justificar a  proprietários cuidadosos. O tratamento de escolha é cirúrgico, com remoção do tumor com ampla margem de segurança (3 a 5 cm ao redor da tumor). Porém os sarcomas em local de aplicação não são fáceis de  remover pela dificuldade em delimitar suas margens, sendo a melhor chance de cura quando ocorre detecção precoce. Além disso, as recidivas locais podem ocorrer em 30 a 70% dos casos podendo ocorrer tão rápido quanto 2 semanas após o ato cirúrgico. Geralmente o pós-operatório é associado a quimioterapia ou até radioterapia, quando disponível. Os sarcomas devido a aplicações tendem a ser mais agressivos, com maior taxa de recidiva e metástases

Portanto a avaliação do risco x benefício sobre qualquer medicação injetável e todos os tipos de vacinas para felinos, devem ser pesadas cuidadosamente. Os  gatos que necessitem de aplicações injetáveis, devem ter a localização, via de aplicação, o nome do medicamento/vacina, fabricante e o lote anotados na ficha clínica, para que este local seja evitado em novas aplicações, bem como possam ser observadas alterações nestes determinados locais, principalmente em aplicações subcutâneas.

 

Maricy Alexandrino - Médica veterinária

©Este texto é um trabalho original do Autor e é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Qualquer uso ou reprodução deste texto depende de prévia e expressa autorização do Autor

 

Referências Bibliográficas:

BRANDÃO, L.; Informe Técnico Merial -  Sarcomas pós-vacinais em Felinos

HUSTEAD, D.R.; Vacinação em Felinos - Technical Update Fort Dodge, Felinos – Update nº1

SOUZA, H.J.M. ; Coletâneas em Medicina e Cirurgia Felina, 1º ed. Rio de Janeiro: L.F Livros, 2003.

_________________________________________________

Como citar este artigo:

Alexandrino, Maricy. Sarcoma Felino em Local de Aplicação, em CliniPet Clínica Veterinária website. Disponível em <http://clinipet.com/informativos/1-clinicageral/38-sarcoma.htmll>