Insuficiência Renal Crônica
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Insuficiência Renal Crônica (IRC)
Os rins desempenham diversas funções no organismo, entre elas:
- filtrar e eliminar determinadas substâncias que em altas concentrações no sangue, são prejudiciais ao organismo, como a uréia e creatinina
- produção de hormônios
- metabolismo e excreção de substâncias entre elas medicamentos
- controle e regulação de vários eletrólitos: fósforo, sódio, potássio, cálcio entre outros
- produção de urina e manutenção do equilíbrio de água
A IRC é uma desordem relativamente comum em animais mais velhos, trata-se de uma condição progressiva (meses a anos) e irreversível. O diagnóstico é geralmente feito quando o animal está nos estágios finas da doença, pois o rim tem uma grande reserva funcional, o que retarda o aparecimento dos sinais clínicos. A insuficiência renal acontece quando os rins estão tão lesionados, a ponto de não conseguir desempenhar suas funções normais, e a manifestação clínica da doença geralmente acontece quando cerca de 70% do tecido renal já foi destruido.
Sinais Clínicos
Os sinais clínicos básicos da insuficiência renal são: aumento no consumo de água, aumento na frequência urinária devido a dificuldade do rim em concentrar urina e manter liquido no organismo. Outros sinais incluem perda de peso, redução do apetite ou apetite seletivo.
Com a evolução da insuficiência renal, as substâncias tóxicas que deveriam ser eliminadas, acabam se acumulando, sendo que uma das principais substâncias que se acumula é a uréia, que causa danos principalmente ao trato gastrointestinal levando o animal a apresentar vômitos, perda de apetite, úlceras na boca, hálito urêmico (cheiro forte na boca e durante a respiração), fraqueza, apatia, depressão.
Os rins também produzem um determinado hormônio resposável pela produção das células vermelhas do sangue chamado eritropoitina, uma vez o rim estando doente ele para de produzir tal hormônio e com isso o cão ou gato poderá apresentar um quadro de anemia grave. Além deste hormonio o rim também produz uma outra substância que ajuda a controlar a pressão sanguínea do organismo, e nos quadros de insuficiência renal o animal poderá apresentar hipertensão arterial, que em um nível elevado pode levar a cegueira aguda, sinais semelhantes a derrame cerebral, alterações neurológicas como lentidão mental, mudanças de comportamento, coma, convulsões e lesões no coração.
Diagnóstico
O diagnóstico da IRC é feito através de exames laboratoriais, como hemograma e avaliação da função renal, com exames de uréia, creatinina e urinálise. A uréia e creatinina são substâncias que os rins devem eliminar do organismo, uma vez que elas estejam aumentadas no sangue é sinal que o rim não está trabalhando direito. O grau de aumento, é muitas vezes proporcional ao grau de lesão renal.
Na urinálise é possível observar biaxa densidade urinária e comumente perda de proteína pela urina. Outros exames como avaliação de eletrólitos (potássio, sódio, fósforo e cálcio) além de ultra sonografia abdominal, são complementares a avaliação dos rins e suas consequências no organismo.
Tratamento
Como qualquer doença irreversível, o tratamento da IRC pode ser apenas paliativo. A doença não pode ser curada, mas sua progressão pode ser diminuída e a severidade dos sinais clínicos amenizados. O tratamento da IRC varia de acordo com o grau de lesão renal e gravidade dos sinais clínicos. Para o cães/gatos compensandos, ou seja, aqueles que não apresentam vômitos e ainda se alimentam, mas que apresentam alterações nos exames laboratoriais, muitas vezes a simples troca da dieta pode retardar o aparecimento dos sinais clínicos.
A dieta do paciente renal deve ser restrita em proteínas, pois esta estimula o aumento da produção de uréia, que como já dito é prejudicial ao organismo. Além disso, a dieta deve conter carboidratos de fácil assimilação e redução ou suplementação de outros componentes importantes para função renal.
Para os animais que apresentam vômitos leves, náuseas ou apetite seletivo, medicamentos que melhorem a condição do estômago podem ser úteis. Além disso, pode ser necessário melhorar a hidratação do animal com fornecimento de maior quantidade de líquidos via oral, ou parenteral (via subcutânea em casa), pois apesar do paciente renal consumir muita água, os rins não conseguem segurar o líquido no organismo, e portanto a desidratação é um fator importante a ser observado nestes casos.
Alguns cães/gatos no momento do diagnóstico ou com a evolução da doença podem estar muito desidratados e portanto precisarão de internamento para receber soro (fluidoterapia) endovenosa, além de medicações injetáveis para controlar os vômitos, anemia e melhorar o apetite. Já em alguns casos, além da desidratação, a anemia pode ser tão severa a ponto do paciente necessitar de transfusão sanguinea.
Nos casos avançados da doença, pode ser necessário tratamento mais intensivos como diálise peritoneal e hemodiálise.
O prognóstico da doença renal a longo médio/prazo é reservado a ruim, pois invariavelmente tende a progredir, intensificando a gravidade dos sinais clínicos.
Maricy Alexandrino - Médica Veterinária
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Referências Bibliográficas
“Séries de Informação ao Cliente” – Insuficiência Renal Crônica, David J. Polzin, Tratado de Medicina Interna Veterinária, 5º ed. Vol. 2, Rio de Janeiro: Guanabara, 2004.
Revista FOCUS edição especial: Diagnóstico Precoce da Insuficiência Renal Crônica , Aniwa SA, 2005

