Piodermite
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Piodermite
Piodermite (pio= pús) é um termo genérico dado a determinadas infeções bacterianas de pele, sendo é uma das doenças dermatológicas mais comuns nos cães
A pele normal possui bactérias que vivem em simbiose com o hospedeiro, ou seja, sem causar danos a sua saúde. O tipo de bactéria presente pode variar de acordo com diferentes ambientes cutâneos, e são afetados por fatores como calor, pH, salinidade, umidades, nível de ácidos graxos. E estas bactérias são de certa forma benéficas ao seu hospedeiro, pois inibem o crescimento de microrganismos invasores com maior grau de patogenicidade.
Por diversos motivos, estas bactérias normais da microbiota podem se super reproduzir causando problemas aos animais.
De acordo com a causa que leva a esta super população, classificamos as piodermites como:
- primárias: idiopática, anatômica ou defeitos imunológicos primários. Comum em algumas raças como Pastor Alemão, Pit Bull, Bull Terrier entre outras..
- secundárias: se desenvolve em consequência a uma causa de base, que pode ser:
- doenças alérgicas: DAP, alergia alimentar ou atopia
- seborréias
- doenças parasitárias: sarna demodécica, sarna sarcóptica
- doenças hormonais: hipotireoidismo, síndrome de cushing
- doenças fúngicas etc.
Ainda podemos classificar as piodermites de acordo com a profundidade da lesão:
- superficial: envolvem epiderme e o epitélio folicular, incluem o impetigo, piodermite mucocutânea, foliculite bacteriana superficial e a dermatofilose.
- profunda: são infecções mais sérias que envolvem camadas mais profundas da pele, invadem a derme podendo acometer o tecido subcutâneo, podem induzir a sinais sistêmicos de doença. Entre as apresentações clínicas está a furunculose, a celulite, paniculite, entre as doenças está a foliculite, furunculose e celulite do Pastor Alemão, furunculose podal (pés), foliculite e furunculose do focinho, abscessos subcutâneos etc.
E sua localização anatômica, alguns exemplos:
- piodermite mucocutânea: localizada nas margem pele/mucosa, principalmente bordas labiais (ao redor da boca);
- podopiodermite: confinada aos pés e mãos;
- piodermite do calo: localizada nos calos que se formam em proeminências ósseas, principalmente cotovelos
Os sinais clínicos variam muito de acordo com a localização e profundidade da lesão, podendo variar de presença de pústulas (lesões semelhantes a espinhas), pápulas, coceira leve a moderada, perda de pelo, lesões úlceradas, crostosas, doloridas, edemaciadas, com presença de secreção purulenta e/ou sanguinolenta. Além da possibilidade de sinais sistêmicos em casos graves, como anorexia e febre.
O diagnóstico é feito baseado na história e sinais clínicos, podendo ser feito uma análise do conteúdo nas pústulas e úlceras por citologia. Em casos mais graves ou recidivantes, pode ser necessário realizar uma cultura bacteriana com antibiograma. Além disso deve ser investigado a causa do problema, descartando todas as doenças primárias que podem levar ao quadro de piodermite.
O tratamento é feito principalmente com o uso de substâncias anti-sépticas tópicas, que pode ser em formas de pomada, loção, spray ou xampú medicamentoso. De acordo com a gravidade do caso pode ser necessário associar o tratamento tópico a antibioticoterapia sistêmica (injetável ou via oral). A duração do tratamento varia de acordo com a gravidade do quadro e as causas predisponentes.
Portanto é importantíssimo buscar a causa de base da piodermite, pois somente controlando a origem do problema (quando possível) que o tratamento terá sucesso, evitando recidivas ou pelo menos mantendo um controle aceitável nos quadros recidivantes, como nos quadros cuja doença de base não tem cura (hipotireoidismo, defeitos imunológicos..).
Caso se chegue a conclusão que se trata de uma piodermite primária, o cão precisará de cuidados pro resto da vida, pois as recidivas do quadro são frequentes. Em alguns pacientes com piodermite primária, é possível tratar somente as crises caso sejam poucas durante o ano. Já pra outros animais, cuja recidiva é muito frequente ao longo dos meses, é possível ainda abrir mão das imunoterapias ("vacinas") ou pulsoterapias (uso frequente de doses de ATB).
Maricy Alexandrino - Médica Veterinária
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