Avaliação do Usuário: / 6
PiorMelhor 
Informativos - Dermatologia Veterinária

Dermatopatias Auto-imunes em Cães e Gatos

Doenças auto-imunes acontecem quando células de defesa do organismo começam  atacar tecidos normais do organismo, levando a alterações clínicas. As dermatopatias imunomediadas, são doenças de pele raras em cães e gatos. Necessiatm de tratamento para o resto da vida para que a resposta imunbe do organismo possa ser controlada.

 

1) Complexo pênfigo

É um grupo de dermatoses auto-imunes caracterizadas por vários graus  de ulceração, crostas, pústulas e formação de vesículas. Acomete a pele e as vezes a mucosa. É mais comum em animais de meia idade a idosos, cães e gatos.  Com base na distribuição, tipo de lesões e nos achados histopatológicos, a doença é separada nas seguintes formas:

 

a) Pênfigo foliáceo: forma mais comum. Raças predispostas (fatores genéticos): Akita, Bearded Collie, Chow Chow, Dachshund, Doberman, Terra Nova

  • Sinais clínicos: descamação, crostas, pústulas, erosões, eritemas, alopecia, hiperqueratose com fissura em coxins. Locais comuns de lesões: cabeça (lábio e ponte nasal, principlamente), orelha e coxins, podendo muitas vezes tornar-se generalizado Leões em mucosas e mucocutâneas são raras. Em gatos o envolvimento de mamas e leito ungueal  é comum. Dor e prurido variáveis, é possível ocorrer infecção bacteriana secundária.

b) Penfigo eritematoso: relativamente comum, pode ser uma forma benigna do penfigo foliáceo ou uma síndrome de cruzamento entre pênfigo e lúpus eritematoso. Raças predispostas: Collie, Pastor Alemão, Pastor de Shetland e Sheepdog.

  • Sinais clínicos semelhantes ao pênfigo foliáceo, lesões em geral confinadas em cabeça, face e coxins. A despigmentação mucocutânea é mais comum que nas outras formas.

c) Penfigo vulgar: é o segundo tipo mais comum, sendo a forma mais grave.

  • Lesões ulcerativas, erosões, bolhas e crostas. É mais grave que o pênfigo foliáceo e eritematoso. Acomete a cavidade oral,  junções mucocutâneas (lábios, narinas, pálpebras, vulva, prepúcio e região anal) e pele. Cerca de 90%  dos animais apresentam lesões em cavidade bucal (úlceras)  no período diagnóstico. Podendo tornar-se generalizado. Axilas e virilhas são áreas comumente envolvidas. Dor e prurido variáveis, anorexia depressão e febre. Comum haver infecção bacteriana secundária. Pode ser fatal se não tratada! É a forma com pior prognóstico.

d) Penfigo vegetante: é um tipo extremamente raro, possivelmente uma variante relativamente benigna do pênfigo vulgar

  • Sinais clínicos: desordem vesicopustular com proliferação verrucosa no tronco e extremidades. Grupo de pústulas se unem, levando a lesões papilomatosas erosivas e massas vegetativas que produzem exsudato. O envolvimento oral não foi relatado, não apresenta doença sistêmica.

Diagnóstico (complexo pênfigo)

Para se chegar ao diagnóstico de doençca auto imune, diversas outras dermatopatias com sinais semelhantes devem ser excluidas. Os exames  de escolha para diagnóstico de pênfigo são:  citologia de aspirados ou esfregaço, biópsias de pele lesionadas e histopatológico.

Histórico, exame físico, citologia dos esfregaços das lesões, biópsia e histopatológico das lesões.  É essencial a biópsia de lesões primárias  (como bolhas e pústulas), por serem lesões frágeis  e transitórias, as vezes se faz necessário realizar várias biópsias e/ou hospitalização do animal, de modo que ele possa ser cuidadosamente examinado  a cada 2 ou 4 horas até identificação de tais lesões, e então a biópsia feita imediatamente.

Tratamento

Alguns animais gravemente acometidos, devem ser internados. Nos outros animais, são utilizados medicações imunossupressoras, que inibem as células de defesa do organismo a atacarem células próprias. Evitar radiação solar  também é importante.

O tratamento medicamentoso se entende por toda a vida, inicialmente com uma dose de "ataque" até melhora dos sinais clínicos, e a seguir com doses de manutenção específica para cada animal. Exames de rotina devem ser realizados, como hemograma, função renal, hepática e urinálise, devido aos riscos de efeitos colaterais das medicações imunossupressoras.

O tratamento do pênfigo frequentemente é difícil, necessitando de grandes doses de corticóides  sistêmicos, com ou sem outras drogas imunomoduladoras poderosas. Os efeitos colaterais dessas drogas são comuns, variando de médios a graves  e um estrito monitoramento  hemnatológico  do paciente é fundamental. Além disso o tratamento em geral  devem mantido por períodos prolongados, senão para toda a vida . Assim o esquema terapêutico  deve ser  individualizado  para cada paciente, e a educação do proprietário é essencial. O uso de filtros solares com fatores acima de 15 fps é essencial.  Vitamina E e ácidos graxos pode ser benéfico para alguns pacientes.

 

2) Lupus eritematoso Discóide

Uma  das dermatopatias imunomediadas mais comuns em cães e muito rara no gato. Predominantemente acomete o plano nasal, face, orelhas e mucosas. Raramente outras áreas.

Raças predispostas: Collie, Pastor Alemão, Husky Siberiano, Sheepdog, Pastor de Shetland, Malamute, Chow Chow e seus cruzamentos. Sem faixa etária de predileção.

  • Sinais clínicos: em geral começa com uma despigmentação do plano nasal e/ou lábios. Esta despigmentação evolui para erosões e úlceras, com a perda de tecido pode coorer cicatrizes locais. Dor e prurido variáveis
  • Também pode envolver região periocular (ao redor dos olhos), pavilhão auricular (orelha externa)
  • Raramente pés e genitália
  • Provavlemente exista uma predisposição genética, porém algumas causas foram levantadas, como: reações a drogas, exposição viral  e exposição a luz UV (solar)

Diagnóstico

Para se chegar ao diagnóstico de doença auto imune, diversas outras dermatopatias com sinais semelhantes devem ser excluidas. Os exames  de escolha para diagnóstico de lúpus  é a realização de biópsias de pele lesionadas (lesões recentes, áreas despigmentadas) e histopatológico.

Tratamento

Evitar exposição ao sol, e utilização de bloqueador  solar a prova d´água.  Dependendo da gravidade das lesões inicialmente pode ser utilizado corticóides tópicos, e nos casos graves ou não responsívos, utiliza-se medicação sistêmica (via oral) inicialmente em dose de "ataque" e a seguir dose de manutenção. Exames de rotina devem ser realizados, como hemograma, função renal, hepática e urinálise, devido aos riscos de efeitos colaterais da corticoterapia prolongada.

3) Síndrome Uveodermatológica Canina

Síndrome rara, semelhante  a  síndrome Vogt-Koyanagi-Harada em humanos (VKH). Doença auto-imune que causas lesões oculares (uveíte) e dermatológicas (despigmentação).

Raças predispostas: Akita, Samoyeda e Husky Siberiano

  • Sinais clínicos: início súbito de uvéite (inflamação de uma região do olho) com diminuição da capacidade visual e concomitante despigmentação nasal, em lábios e  pálpebras, podendo se extender para coxins, escroto, ânus e palato.

Diagnóstico

Para se chegar ao diagnóstico de doença auto imune, diversas outras dermatopatias com sinais semelhantes devem ser excluidas. Os exame  de escolha para diagnóstico da síndrome úveo dermatológica  é a realização de biópsias de pele lesionadas e histopatológico. Avaliação da retina por veterinário oftalmologista é essencial, visto que lesões de pele pode preceder as lesões oftálmicas.

Tratamento

Com drogas imunossupressoras imediatamente, para evitar formação de lesões permanentes nos olhos acometidos (pode evoluir pra cegueira). Drogas via oral e colírios.

Exames de rotina devem ser realizados, como hemograma, função renal, hepática e urinálise, devido aos riscos de efeitos colaterais da corticoterapia prolongada. Exames de retina devem ser feitos com frequência para avliar progressão da doença, pois a corticoterapia pode controlar a doença de pele, mas não a doença oftálmica.

 

Maricy Alexandrino - Médica veterinária

 

©Este texto é um trabalho original do Autor e é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Qualquer uso ou reprodução deste texto depende de prévia e expressa autorização do Autor

 

Referências Bibliográficas:

SCOTT, D.W.; MULLER, W.H.; GRIFFIN, C.E.; Muller & Kirk, Dermatologia de Pequenos Animais, 5º ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996

TILLEY , L. P.; SMITH Jr.; F.W.K; Consulta Veterinária em 5 minutos: Esécies Canina e Felina, 2º ed. São Paulo: Manole, 2003

WILLEMSE, Y.; Dermatologia Clínica de Cães e Gatos: Guia para Diagnóstico e Terapia, 1º ed. São Paulo: Manole, 1994